“Trato o meu companheiro como se fosse meu irmão” – Felipe

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Felipe, um dos pilares da defesa menos batida das principais ligas europeias, deu esta quinta-feira uma grande entrevista ao programa Universo Porto, do Porto Canal, em que o espírito de equipa e a capacidade de superação, apesar das adversidades, foram dois dos principais temas. “Somos todos respeitosos uns pelos outros e trato o meu companheiro como se fosse meu irmão”, afirmou, já no final da conversa, o defesa, que assim comentou as palavras de Nuno Espírito Santo na conferência da imprensa do início da tarde, em que defendeu a coesão do grupo. Felipe, hoje com 27 anos, só se tornou profissional aos 20, depois de ter sido rejeitado em testes no Palmeiras, Portuguesa, São Paulo e Corinthians, o clube do qual se transferiu para os Dragões e em que acabou por se impor definitivamente no futebol brasileiro.

Foi Tite, o atual selecionador brasileiro, que “apostou todas as fichas” nele. Felipe “não tinha base” e, por isso, não se importava de jogar pouco: apenas queria “crescer” para depois “lutar por uma posição”, que ganhou finalmente em 2015. Para trás ficaram os dias a acordar às 3h40, para trabalhar com os sogros a carregar carrinhas e a “entregar cogumelos”. No FC Porto, o início também foi difícil e o camisola 28 marcou mesmo dois autogolos, um deles numa partida a valer, no play-off da Liga dos Campeões. “Cresci com isso e só pensei em melhorar”, recorda. Leia de seguida alguns dos melhores momentos da entrevista com o jogador a quem os adeptos do Corinthians atribuíram os apelidos de Felipenbauer e Sergio Ramos de Itaquera.

A crença pessoal
“Sou uma pessoa que acredito muito. A minha história é assim, comecei muito mal e consegui crescer. Estava ali para ajudar, quer fosse titular ou não. Tem de se ter esse espírito, um pensando no outro, é assim que uma equipa consegue crescer e conquistar títulos. Essa positividade ajuda muito.”

A seca de golos em novembro
“A equipa estava a jogar muito bem, mas não aconteciam os golos. Eu não culpo ninguém, porque uma equipa, se perde, perde toda. Tínhamos de ter paciência, cabeça, tranquilidade e, em algum momento, os golos iam surgir naturalmente. Chegou dezembro e o golo do Rui Pedro frente ao SC Braga e começou tudo a andar. Os nossos avançados são jovens, são ótimos jogadores, mas talvez faltasse um pouco da frieza na hora de fazer o golo.”

A organização defensiva com Nuno Espírito Santo
“A organização da defesa tem sempre de existir, mesmo com um jogador a menos ou a mais. E quando surgem detalhes que nos impedem de conseguir fazer o golo, manteve-se sempre a organização e foi essa a chave que deu tranquilidade aos meninos da frente para dar o passo em frente.”

Uma equipa de jogadores que subiram a pulso
“Isso é muito importante, ajuda a dar confiança e a saber que tudo o que se passa vale a pena. Não me arrependo de nada, de tudo o que passei, a infância, a dificuldade em chegar a um clube profissional, o trabalho. É um orgulho para mim contar isso hoje e principalmente para o meu pai, que sempre acreditou em mim. Quase todos no plantel passaram por dificuldades e sabem que é difícil chegar a um clube tão grande.”

Elogio presidencial a Felipe e Marcano, uma das “melhores duplas do futebol português”
“Mandei para a minha família o artigo e é um orgulho. Passei muitas coisas para receber um elogio de uma pessoa que é incrível, tem tanta história no clube. É um orgulho fora do comum.”

O espírito de grupo
“Não quero o mal do meu companheiro, nunca. Vamo-nos defender com tudo. Respeitamo-nos uns aos outros e trato o meu companheiro como se fosse meu irmão.”

*in FCPorto

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