“No balneário injetaram-nos raiva contra o slb e o Sporting” – Geraldão

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Num artigo publicado no site MaisFutebol, Geraldão recorda a sua passagem pelo nosso clube. Destacam-se as palavras sobre a rivalidade com os clubes da capital:

O FC Porto era intenso em tudo. Um excesso diário: no treino, na entrega, na mensagem, na relação. Fomos orientados a abraçar o lema ‘Contra tudo e contra todos’. No balneário injetaram-nos raiva contra o slb e o Sporting. Tínhamos de odiar esses clubes, sempre. E a verdade é que eu, desportivamente, odiei facilmente o slb e o Sporting.

Dono de um pontapé canhão, Geraldão fez 101 jogos no campeonato pelo Porto, durante 4 temporadas, tendo feito 20 golos e conquistado:

2 Campeonatos Nacionais;
2 Taças de Portugal;
1 Supertaça;
1 Taça Intercontinental;
1 Supertaça Europeia.

Geraldão recorda ainda um episódio com Ivkovic, então guarda-redes do sporting, que antes de um jogo entre as duas equipas disse que estava preparado para Geraldão…

Li as declarações do Ivkovic e passei essa semana a treinar livres de todas as zonas possíveis e imagináveis. Meti na cabeça que tinha de marcar ao Sporting.

O Domingos sofreu uma falta logo no início do Clássico e lá fui eu. O Ivkovic inverteu a posição normal da barreira, mas eu nem quis saber. Ele pensou que a bola ia para fora (risos). No final fui ter com o Marinho Peres, técnico do Sporting e meu amigo, e disse-lhe isto: ‘seu Marinho, diz ao goleirão que contra o Geraldão ninguém pode estar preparado. É impossível’.

Geraldão chegou às Antas com a fama do seu pontapé, mas ainda assim teve de esperar ano e meio ter direito a bater um livre directo:

Eu cheguei ao Porto e havia Madjer, Sousa e Celso, todos especialistas nesses lances. Tive de esperar, claro. E foi em Alvalade, quando ninguém estava à espera. A bola estava muito, muito longe e eu disse ao André ‘vou arriscar, cara’. Ele vira-se para mim e diz logo ‘ui, tá bom Eusébio, arrisca’.

Geraldão termina a relembrar a sua experiência de azul e branco:

«Veja bem, eu cheguei para o clube campeão da Europa», começa Geraldão. «No primeiro dia de treinos as minhas pernas tremiam. E eu era jogador de seleção brasileira. Mas vi uma organização perfeita, um código de conduta híper-rigoroso, verdadeiros craques ao meu lado e interiorizei uma responsabilidade quase sagrada».

Os adeptos, omnipresentes, fizeram o resto. «Íamos à Covilhã e ao Algarve e a caravana de automóveis em nosso redor era impressionante. O Mlynarczyk, o João Pinto, o André, o Jaime Pacheco gritavam connosco e diziam ‘malta, estão aqui milhares de pessoas para nos ver ganhar e já fizeram centenas de quilómetros. Como vai ser?’»

Geraldão assegura, de resto, que ver o nome na convocatória de sexta feira era «um privilégio». «Esse era um dos momentos de maior tensão. O papelinho chegava ao balneário e lá íamos nós, espreitar a lista do treinador. Vi alguns colegas a chorar por não serem convocados».

Do Brasil, emocionado, Geraldão envia um abraço aos portistas e a Pinto da Costa, a Reinaldo Teles, ao dr. Domingos Gomes, ao roupeiro Moreno.

«A coisa mais maravilhosa que me podia acontecer era voltar ao FC Porto ou colaborar com o clube aqui no Brasil. Fui eu que indiquei o Pepe, o Alan, o Ezequias e o Léo Lima ao Marítimo, onde fui diretor desportivo. Todos acabaram por jogar no Porto».

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