Gomes marcou o golo da vitória na primeira final Porto – Braga

Estamos a 18 de maio de 1977, uma quarta-feira, dia de trabalho, mas o Estádio das Antas está cheio. Não é motivo para menos: afinal, o FC Porto pode pôr ali fim a um jejum de nove anos sem conquistar qualquer título, caso vença o Sporting de Braga numa inédita final da Taça de Portugal.

O inêxito desportivo provocara alterações significativas no clube no início dessa época: convidado pelo então presidente Américo de Sá, Jorge Nuno Pinto da Costa volta ao FC Porto para assumir a chefia do departamento de futebol; a primeira medida é fazer regressar José Maria Pedroto ao comando técnico. São, assim, lançadas as bases do sucesso, começam a ser construídos os alicerces do FC Porto moderno, do FC Porto ganhador, do FC Porto hegemónico. Com esta dupla, está encontrado o caminho dos títulos.

O primeiro é precisamente essa Taça de Portugal, edição de 1976/77, jogada no relvado das Antas. Pela terceira vez consecutiva, o troféu não se decide no Estádio Nacional, sem grandes condições de segurança, e que ainda não se soltara do rótulo colado pelo Estado Novo. A questão geográfica, o facto de os clubes pertencerem à mesma região, também pesa na decisão. O FC Porto jogava no seu estádio, mas o jogo foi equilibrado. “Muito difícil”, recorda Fernando Gomes que, após um cruzamento de Duda, marcou o golo que aos 52 minutos decidiu aquela final.

“Foi um jogo que pediu um enorme espírito de equipa, uma grande união de todos”, em torno de um só objetivo: proporcionar uma alegria à nação portista, sedenta de vitórias. “O resultado espelha bem as dificuldades que tivemos para ultrapassar aquela equipa do Braga. Tínhamos uma equipa jovem e que há muito tempo não estava habituada a jogos dessa importância. Por outro lado, a responsabilidade que tínhamos de vencer ainda era maior, pelo facto de jogarmos em casa, perante os nossos adeptos, num momento como aquele”.

Naquela noite, o último som produzido pelo apito do árbitro Porém Luís deu o pontapé de saída para uma enorme festa entre jogadores e treinadores no campo e entre os adeptos nas bancadas das Antas. “Foi uma conquista muito celebrada por toda a gente. Seria a primeira de muitas vitórias que se seguiram. E a massa associativa começou ali a perceber que era o início de uma caminhada de sucesso do FC Porto, o início de uma nova era”, observa o antigo número nove, autor de oito golos nessa edição da prova e de mais 25 no campeonato, que o tornaram o melhor marcador, proeza que já não era conseguida por um portista desde Azumir, em 1961/62.

A FINAL
FC PORTO-Sporting de Braga, 1-0
FC PORTO: Joaquim Torres; Gabriel, Simões, Murça, Taí (Seninho, 46m) Rodolfo, Freitas, Octávio, Duda (Celso, 74m), António Oliveira e Gomes
Treinador: José Maria Pedroto
Sporting de Braga: António Fidalgo; Artur, Manaca (Fernando, 54m), Marinho, Ronaldo, Serra, Paulo Rocha, Pinto, Beck (Caio Cambalhota, 46m), Chico Faria e Chico Gordo
Treinador: Mário Lino
Marcador: Gomes (52m)

O PERCURSO
1977-05-18, Braga, 1-0 (F)
1977-05-04, (C) Fafe, 3-0 (MF)
1977-04-09, (C) Sporting, 3-0 (QF)
1977-03-12, (C) Aliados Lordelo, 9-0 (1/8)
1977-02-21, (C) Montijo, 7-1 (1/16)
1976-12-29, (C) Alba, 8-0 (1/32)
1976-11-27, (F) Ac. Viseu, 0-2 (1/64)

Texto publicado na edição de maio de 2016 da “Dragões”

*in FCPorto

Comentários