Faz hoje 5 anos que Porto e Braga disputaram a Final da Liga Europa

Princípio de noite de 18 de maio de 2011, o FC Porto entra na bela e moderna Arena de Dublin em busca da glória europeia. Chega na qualidade campeão nacional imaculado e celebrado em pleno Estádio da Luz, no caminho de uma época de sonho, que terminará de forma perfeita dias mais tarde, com mais uma Taça de Portugal.

Chega com o estatuto de favorito, pelo presente e pelo passado, mas volta a provar do equilíbrio que marca a tradição nas finais com o Sporting de Braga. Começa melhor, cria mais perigo, mas os arsenalistas sacodem a pressão e dão boa réplica.

O intervalo está perto, mas não chega sem que antes uma bola cruzada do lado direito por Guarín vá ter com a cabeça de Falcao, que a coloca longe do alcance de Artur. Está feito o 18.º golo do internacional colombiano em 16 jogos na prova, em que se sagra o melhor marcador de sempre numa única edição da Taça UEFA/Liga Europa.

Falcao, tal como Gomes, exatamente 34 anos antes, decidia ali a primeira final das competições europeias entre dois emblemas portugueses.

O Sporting de Braga regressa atrevido dos balneários: logo no primeiro minuto da segunda parte, Mossoró aparece na cara de Helton, que com uma enorme defesa nega o golo ao compatriota. O internacional brasileiro, o único totalista do FC Porto na competição, deixava ali a sua marca.

“Foi o momento em que consegui ajudar a fortalecer ainda mais o ânimo da equipa e a vontade de vencer, que não faltava”, explica à “Dragões” o guarda-redes que, ao lado de Varela – também titular nesse jogo -, é um dos jogadores do atual plantel que participou na conquista do sétimo título internacional da história portista.

Num jogo com poucas oportunidades de golo, aquela seria a melhor de todas dos minhotos e Helton contribuía decisivamente para que a baliza se mantivesse fechada a sete chaves até ao apito final de Carlos Velasco Carballo e para que ele próprio, na condição de capitão, levantasse aquela tão ambicionada taça – um presente no dia em que comemorava o seu 33.º aniversário.

“Foi, sem dúvida alguma, o troféu mais importante da minha carreira, pela data em que aconteceu, pelas condições que tínhamos na altura”, reconhece o guardião, que tem a medalha alusiva à conquista exposta num quadro lá em casa, onde também tem guardadas a bola do jogo e as chuteiras que usou naquele dia e que nunca mais calçou.

Aquela final inédita em provas da UEFA disputada por dois clubes tão próximos geograficamente foi inesquecível para toda a nação portista, em particular para Helton e também para André Villas-Boas, que, com 33 anos e 213 dias, se tornava o mais jovem técnico a conquistar um troféu europeu de clubes e se preparava para igualar o feito de José Mourinho em 2003, com a conquista de quatro troféus. Fez-se (muita) história naquela quarta-feira cinzenta de Dublin.

FC PORTO-Sporting de Braga, 1-0

FC PORTO: Helton (cap), Sapunaru, Rolando, Otamendi, Alvaro Pereira, Fernando, João Moutinho, Guarín (Belluschi, 73m), Varela (James, 79m), Hulk e Falcao
Treinador: André Villas-Boas

Sporting de Braga: Artur, Miguel Garcia, Rodríguez (Kaká, 46m), Paulão, Sílvio, Custódio, Hugo Viana (Mossoró, 46m), Vandinho, Paulo César, Lima (Meyong, 66m) e Alan
Treinador: Domingos Paciência

Marcador: Falcao (44m)
Cartão amarelo: Hugo Viana (24m), Sílvio (30m), Sapunaru (49m), Miguel Garcia (55m), Mossoró (59m), Kaká (80m), Helton (90m) e Rolando (90+3m)

Texto publicado na edição de maio de 2016 da “Dragões”

*in FCPorto

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